Dinheiro à Vista

Incomoda-me como os programas que prometem uma melhoria de estilo de vida pedem logo um compromisso de pagamento.

Falo de “programas” num sentido em que há um plano, e no sentido de serem “aplicações.” É obvio que se queremos um personal trainer, essa pessoa tem que ser logo paga. Mas no caso de material educativo, ou de software que se propõe a nos ajudar a fazer uma mudança – desenvolvimento pessoal, hábitos meditação, dieta, exercício, etc – o pedido de dinheiro à cabeça cheira-me sempre a esturro.

São projectos de meses, afinal. Não se atinge um peso desejado, ou se encontra a cara-metade, ou se aprende uma nova valência de uma semana para a outra, nem sequer num mês.

O que se pode fazer num mês é progresso – progresso mensurável. Quando um destes programas me pede dinheiro logo ao início, a minha suposição é que não são bons suficiente para mostrar resultados num mês.

Quem é que, passado um mês e vendo progresso sério, motivante, não se comprometeria por mais três, seis, doze?

E se, passado um mês, um cliente não está satisfeito? Que negócio honesto quereria ter essa pessoa como cliente durante mais tempo?

Pintura: “O Pagamento das Dívidas” por Georges de la Tour