Filosofia é Como Tomar Banho

Um rei do médio-oriente, em viagem, depara-se com Abdal, um dervixe, e aceita pagar adiantado por um conselho, uma demonstração da sua sabedoria.

O Dervixe assim lhe disse: “O meu conselho é o seguinte: Nunca comeceis nada sem antes refletir como terminarás.”

Perante isto, os nobres e todos os presentes riram, dizendo que sabedoria de Abdal tinha sido a sua insistência que o rei pagasse adiantado. Mas o rei disse: “Não tendes razão de rir do bom conselho que este Abdal me deu. Ninguém desconhece que devemos pensar bem antes de tomar qualquer acção. Mas diariamente, somos culpados de não nos recordar disto, e as consequências são malignas. Muito valor dou, ao conselho deste Dervixe.”

— “O Rei, o Sufi e o Cirurgião”, em “Caravana de Sonhos” por Idries Shaw

De facto, o conselho do dervixe é um lugar-comum. E no entanto, quantos nós somos culpados de começar algo sem ter ponderado até onde essa acção nos levará? Quantos de nós iniciamos uma carreira, uma relação, um estudo, uma aventura, sem ter um objetivo definido, e em consequência, nunca sabemos o quão próximo ou longe está o sucesso?

Todos sabemos que devemos ter um rumo na vida, que viagem é que importa mas há que ter um destino em mente. Mas com que facilidade nos esquecemos dessa verdade tão básica!

É por isso que practicar filosofia é como tomar banho: há que o fazer todos os dias, ou perde-se o efeito.

A citação acima é uma tradução feita por mim, de uma passagem do livro   “Caravan of Dreams” por Idries Shah , que traz ao ocidente alguns excertos de filosofia Arábica. Tanto quanto sei, não existe uma tradução oficial Portuguesa.

Como é habitual, não ganho nada se seguirem o link e comprarem o livro.

Pintura: “Árabes a Cavalo” por Massimo Taparelli, Marquês d’ Azeglio.