Um Mau Cavalo

“A cavalo dado, não se olha o dente,” diz o provérbio. Mas eu acho que depende da intenção da dádiva.

Na mais recente loja de jogos em formato digital, a Epic Games Store, a loja oferece um jogo novo grátis, de duas em duas semanas.

É uma iniciativa fantástica. Não são jogos nada amadores, nem especialmente velhos – embora, no mundo dos videojogos, um jogo com dois anos possa parecer arcaico.

Mas sinto que é uma oportunidade perdida. O preço dos jogos é uma grande barreira para trazer novas pessoas ao mundo dos videojogos. Seria esta uma boa ocasião para trazer a esse público, ao público que só conhece um ou dois jogos, alguns dos clássicos dos últimos anos. Teria que ser uma selecção que fosse simultaneamente representante do que é bom nos videojogos, e acessível a pessoas menos experientes.

Em vez disso, os jogos oferecidos são jogos que são difíceis de engolir para os iniciados, e mais interessantes para os jogadores veteranos que, por uma razão ou outras, não os tenham jogado quando foram lançados.

Jogos como Super Meat Boy ou Axion Verge são excelentes para mim, um gajo que está nisto há mais de duas décadas, mas não vão despertar interesse na minha irmã mais nova. E Thimbleweed Park pode lembrar o meu pai dos antigos jogos de aventura, mas só o vai fazer chegar à conclusão que nada mudou nos últimos 25 anos.

Já o fantástico Tetris 99 na Switch foi um sucesso nesse prisma. A Nintendo está à frente de todos. Haja quem nos traga bons cavalos!

A Máquina do Tempo II

Vamos assumir que ainda não temos uma máquina do tempo, não porque viajar no tempo não seja possível, mas porque não é possível em termos materiais.

Neste paradigma, o hipotético viajante temporal seria enviado para o passado ou futuro por uma máquina do tempo que ficaria ancorada ao “seu” presente. 

E, como já estabelecemos que uma máquina do tempo, a existir, seria usada infinitamente, podemos daí assumir que o próprio viajante não poderia estar presente na sua forma física. 

Afinal de contas, temos ocasionalmente um maluco que diz vir do passado ou do futuro; não temos centenas deles. E os poucos que temos revelam-se sempre bastante ignorantes em relação a factos históricos, e incapazes das previsões mais básicas. 

Portanto, se há viajantes temporais, serão mais como observadores; podem ver, mas não interagir. Ou se interagissem, seria de uma forma idêntica ao sobrenatural; para nós, pareceria um fenômeno inexplicável.

Mas voltamos ao problema da reutilização infinita; mesmo que uma máquina do tempo seja considerada um instrumento perigoso e difícil de produzir, basta ver em quão pouco tempo conseguimos ir de duas bombas atómicas na posse de um único país, para milhares delas espalhadas pelo mundo todo.

A tecnologia multiplica-se exponencialmente. Se fosse possível enviar malta para o passado, e se a manifestação disso fosse aquilo a que chamamos o “sobrenatural”… Todas as casas seriam assombradas.

Fotografia: salvobrick Flickr via Compfight cc

A Máquina Do Tempo I

Não é possível construir uma máquina do tempo.

Se fosse, já a teríamos. 

A partir do momento em que uma máquina do tempo existir, vai ser utilizada vezes infinitas. Se algo é utilizado vezes infinitas, mais tarde ou mais cedo, por intenção ou acidente, já teria vindo parar às “nossas” mãos. Ou dos nossos antepassados. 

A outra possibilidade é: a partir do momento em que alguém voltar atrás no tempo, cria um novo universo. O que significa que, para os propósitos práticos de comuns mortais como nos, que habitam exclusivamente este universo… Não existe nem nunca existirá uma máquina do tempo.

A terceira possibilidade é que a máquina do tempo, e quem a utiliza, não havia a mesma realidade que nós, não é perceptível de alguma forma.

Mais acerca disso num próximo escrito…