Thanos e o Valor do Sacrifício

Spoilers para o último filme dos Vingadores. Foram avisados

A melhor coisa no último filme dos Vingadores foi que o vilão ganhou. E não ganhou por azar dos heróis, mas ganhou porque mereceu ganhar.

Thanos: Chocou um plano durante muitos anos, que executou meticulosamente, sem se deixar levar pelos altos e pelos baixos. No seu momento de maior desafio, sacrificou a única coisa que amava em prol do plano.

Os Vingadores: Passam a maior parte do tempo em guerrinhas internas, e quando se apercebem que estão tramados se não se juntarem, deixam-se guiar por um idealismo cego.

Através do sacrifício de um único dos seus membros – um sacrifício que esse membro estava disposto a fazer – os Vingadores podiam ter travado os planos de Thanos sem ele ter qualquer possibilidade de recurso.

E porque não? A história humana está pejada de sacrifícios heróicos, histórias, verídicas ou imaginadas, de pessoas que deram a sua vida para que muitos outros pudessem viver. Temos inclusive religiões construídas em torno deste tema, tão enaltecido que ele é na nossa espécie.

Mas não – a esse valor milenar, sobrepõe-se o heroísmo americano individualista, o “No man left behind.” Ou sobrevivemos todos, ou não sobrevive nenhum. O irmão que está ao meu lado é mais importante do que metade do universo.

O filme é um combate de valores: de valores “frios” como o racionalismo, o estoicismo e a persistência, versus os fogosos idealismo e a fraternidade. O resultado do combate é claro: os Vingadores perderam o seu amigo na mesma, e Thanos aniquilou metade dos seres conscientes do universo. Uma derrota absoluta para a equipa de heróis.

O idealismo e a fraternidade são valores fenomenais, e exalto-os muito. Mas não bastam para travar uma batalha. 

O sacrifício é que ganha batalhas – os outros valores podem apenas suportá-lo e dar-lhe significado.