Sim Por Defeito

Quando alguém me pede para participar num projecto, a resposta é quase sempre “sim.” Com um asterisco: quem me pediu tem que arrancar. Eu entro depois, como suporte.

A maioria dos projetos nunca vão a lado nenhum. Toda a gente tem uma ideia para um livro, um podcast, um filme, um negócio. Mas quase ninguém tem a capacidade de arrancar, de gerar força suficiente para vencer a entropia e dar os primeiros passos. 

Nesse caso, fui o tipo que disse que “sim.” Uma palavra que não me custou mais do que uns centímetros cúbicos de ar , criou uma ligação de confiança entre mim e outra pessoa, ajudou a construir uma reputação de generosidade. Não tive que fazer mais nada.

E se a pessoa conseguir arrancar? E se o projeto for para a frente?

Então, estou a trabalhar com uma pessoa que sabe fazer coisas arrancar.

Não é uma má posição.

Fúria no Twitter

Juntei-me ao Twitter em 2008; dois anos depois do serviço ter sido lançado, mas muito antes de alcançar o auge da sua popularidade. 

Como o meu apelido é “Magalhães” mas amigos meus de outros países tinham dificuldade em escrever o “ã”, escolhi o nome de utilizador “luis_MAGA.”

Isto funcionou muito bem até 2016. Nesse ano, comecei a notar que não conseguia ver alguns tweets. Tinha sido bloqueado por várias pessoas – pessoas com quem nunca tinha interagido. 

Pessoas que decidiram bloquear-me por causa de quatro letras, sem nunca se darem ao trabalho de conhecer algo sobre mim, de ler o que eu escrevia. Nunca lhes passou pela cabeça que essas quatro letras pudessem fazer parte do meu nome.

Escrever com 160 caracteres por mensagem é uma prática aceitável. Já para tecer conclusões acerca das pessoas, talvez valha a pena ler um pouco mais do que 4.

Fotografia: Stefan Marks Flickr via Compfight cc