A Colaboração Mata a Criatividade

O trabalho é sempre melhor quando alguém o faz sozinho. Mesmo que seja mau. 

O mundo está cheio de coisas feitas por comité. É porque é eficiente. Vejo isso quando coordeno equipas – de jogadores, de escritores, ou de marketing. 

Quando toda a gente dá a sua opinião num projecto, o projecto é concluído. Funciona, é seguro. E raramente é interessante. Nunca é fantástico.

Mas quando dou a alguém autonomia para desaparecer durante um par de dias e voltar com alguma coisa vomitada da sua alma? 

Pode ser um fracasso, pode não funcionar. Pode ser que ninguém goste. Mas sabe a uma coisa autêntica. É arte. Nasceu da canção cantada pela alma de uma pessoa, sem interferência de outros.E quando é bom, quando funciona? É transformativo.

Mesmo que a interferência venha de alguém que saiba mais, que tenha melhor gosto, que seja mais experientes e tenha mais capacidade técnica – não interessa. Perde o cunho individual, passa a haver compromisso.

Há muitas empresas que se dizem “amigas do fracasso.” Mas desaproveitam essa idea, pois ao mesmo tempo que proclamam que não há problema em falhar, fazem com que todo o trabalho passe por uma peneira de consenso, para assegurar qualidade.

Há uma altura certa para a opinião do grupo de pares, para as sugestões dos mestres, para o controlo de qualidade por parte do chefe. Essa altura é depois de ter um protótipo construído, um primeiro rascunho feito, um projecto testado. 

O grupo ajuda a decidir se é bom, se é mau. Se tem salvação, ou se está condenado. Se é perfeito, ou onde se pode melhorar.

Mas a génese, o acto de criação, a ideia – essa tem que pertencer ao indivíduo.

Porque mostrar a nossa idea é mil vezes mais preciso do que explicá-la.