David e Golias

Hoje li um autor de que gosto, escrever algo nas linhas de:

“As pessoas que apoiam a monarquia fazem-nos pois querem abdicar da responsabilidade de ter uma participação democrática.”

Não sou fã da ideia de implantar a monarquia, mas acho que este comentário é muito pouco generoso, e pobre intelectualmente. Por duas razões.

Primeiro: Coloca automaticamente aqueles que detêm uma opinião diferente do autor num nível mais baixo. 

São “aqueles que querem abdicar da responsabilidade.” IE. Preguiçosos e/ou cobardes.  Cria logo uma equação subconsciente: se ser um cidadão responsável é uma coisa boa (acho que estamos todos de acordo até aqui), e se apoiar a monarquia é abdicar dessa responsabilidade, então quem Appia a monarquia é irresponsável. E nós não gostamos de pessoas irresponsáveis, pois não?

Segundo: Se vamos (por brevidade) reduzir uma posição politica complexa a uma única razão, que escolhamos então confrontar a melhor versão do nosso adversário. 

Não duvido que haja quem defenda a monarquia para não ter que pensar. Mas duvido seriamente que a maioria dos monárquicos se enquadre aí. Há coisas generosas a dizer acerca da monarquia, vantagens que tem sobre uma democracia pura. 

Por exemplo, podem-se fazer planos a longo prazo, sem se temer que o próximo governo mude tudo depois das próximas eleições. Isto é algo que é óbvio até para um leigo como eu, depois de pensar 5 minutos no assunto. Certamente que se estudasse um pouco, conseguiria encontrar muitos prós e contras em relação à monarquia.

Caímos na ilusão de que temos mais razão se fizermos burros dos nossos adversários intelectuais ou ideológicos. Não temos. 

Burros ficamos nós, se não tentarmos ver sempre o melhor nos nossos adversários. Não por empatia, ou por fair play, mas porque nos privamos de oportunidades para aprender.

E se o nosso intelecto é tão grande, e as nossas ideias tão sólidas, porque não testá-los contra um adversário à altura?