Máscaras

O termo em voga hoje em dia é “lifestyle design”, sobretudo nos meios de comunicação online.

Há uns anos, era “desenvolvimento pessoal.” Ainda hoje são lançados livros sob essa chancela. Os livros, afinal de contas, para melhor e para pior (mas fundamentalmente para melhor) movem-se mais devagar do que a internet.

Antes disso, era “auto-ajuda.” Mas deixou de ser, porque neste mundo moderno, só os fracos precisam de ajuda.

Há muito, muito tempo – no tempo em que os animais falavam, como costumava dizer a minha avó – o termo era ainda outro:

“Filosofia.”

A arte que levava o homem a conhecer-se a si próprio, a descobrir os seus valores, o caminho pelo qual se podia orientar no mind, segundo eles.

A reputação da Filosofia foi destruída pelas escolas, mas não conseguimos passar sem ela. É importante demais, é essencial demais, é único manual (isto é, conjunto de manuais) que temos para viver.

Por isso camuflamo-la. Vestimos-lhe outros trajes, cobrimos-lhe a face com máscaras religiosas, espirituais ou mesmo comerciais (ou qualquer combinação das três) e damos-lhe outros nomes. 

E serve, vai servindo, mas perde-se sempre qualquer coisa com a tradução. Porque cada máscara vem com a sua própria bagagem.

Quantas mais disciplinas sagradas terá a escola violado?