“Audiobooks”

Sempre me ensinaram que era com livros que se aprendia. A escola cimentava isso: a coisa mais importante da escola eram os livros, ou os apontamentos, ou os “acetatos” que os professores passavam.

Mas vale sempre a pena reavaliar as nossas crenças. É possível que o livro tenha surgido como o principal mecanismo de aprendizagem por motivos meramente tecnológicos. A fala é uma capacidade muito mais antiga do que a escrita; faz sentido que os nossos cérebros estejam mais aptos a captar informação através da oração do que da leitura.

Na antiguidade não havia maneira de preservar o som. A tradição oral era muito forte, mas sofria da limitação inerente à memória, e a informação que se conseguia transmitir por esse meio era corrompida ao passar de geração para geração.

Sempre fui de ler, e de escrever: de riscar, de elaborar marginalia. Não o fazer é quase uma heresia. Custa-me a acreditar que posso aprender mais (ou reter o conhecimento melhor) simplesmente ouvindo. Afinal, ler e anotar foi uma arte na aprimoração da qual investi muito tempo.

No entanto, não posso negar que alguns /podcasts/, algumas entrevistas, algumas secções de audiobook se fincaram mais na memória do que a maioria das notas que fiz das últimas décadas.

É altura de explorar isto.