Sugestões da Semana (I)

Um breve apanhado do que tem tomado o meu tempo.

Livro: Tools of Titans (Tim Ferriss)

Um excelente apanhado do melhor conteúdo de um dos meus podcasts favoritos. Não é um manual para a vida, mas pode muito bem servir de almanaque.

Filme: Ghost in the Shell (2017)

Não é o melhor filme de ficção científica, mas nota-se que quem o fez tinha o filme de animação original (1995) no coração. Nem todos os filmes têm que ser um tour-de-force intelectual. Este consegue capturar o espírito da animação sem de desenrolar em palhaçada.

Podcast: Hardcore History – Blueprint for Armageddon

Já tinha falado dele há alguns dias, e estou cada vez mais impressionado. Com episódios de cerca de três horas cada um, é difícil encontrar espaço para outros!

Videojogo: Hearthstone

O lançamento de uma nova coleção de cartas combina-se com a aproximação dos feriados para cultivar a ambição de chegar ao topo do escalão. Já não se trata só de jogar o jogo, mas também de estudar as partidas dos melhores do mundo em busca de conhecimento. O facto do jogo ser em grande parte baseado na sorte exalta ainda mais a importância de se procurar jogar um jogo sem falhas nos momentos em que a sorte nos acompanha.

Música: Age of Rage (Shiryu)

Numa semana de muita confusão e entrevistas constantes, a cabeça não tem espaço para músicas com letra. O remix da lendária banda sonora de Streets of Rage pelo Shiryu assenta na perfeição: não é barulhento suficiente para incomodar a cabeça cançada, mas é mexido quanto baste para me manter desperto.

A Filha do Mar

Há uma certa qualidade que só o tempo nos traz. Quem conta histórias há tempo suficiente, com consistência e sem ordenhar os seus mundos e personagens de forma predatória, consegue erguer uma grande obra, bem alicerçada. 

A maioria dos produtores de videojogos cria décadas de história para um só produto. Uma canção pode referir-se a eventos de há 10 anos atrás no mundo de jogo, mas é uma medida de tempo artificial – o jogador sente que a génese da canção e da história que lhe deu origem é a mesma. 

A produtora de videojogos Bioware sofre disso: sempre a pular de universo em universo em função das modas, da criatividade volátil, quase infantil dos seus artistas, e das exigências dos seus investidores, nunca consegue que os seus mundos criem um passado histórico de forma orgânica. Tem que ser tudo pensado de uma assentada, ou ao longo de uma única geração de consolas.

No extremo oposto, e mais raro: a produtora Blizzard cultiva os mesmos universos há mais de vinte anos. Pode-se discutir o quão manchada a sua arte se foi tornando, em virtude de crescente pressão corporativa. Mas não se pode negar a consistência narrativa. O resultado é que em 2018 podem lançar uma obra musical baseada em factos “históricos” com 15 anos de existência, não em tempo no universo de jogo, mas no nosso tempo.

Há aqui mais do que um orçamento colossal e talento artístico impecável. Há uma vivência, uma história que refinou com o passar dos anos. Aposto que várias pessoas que trabalharam nisto estavam há quinze anos a viver os eventos que são hoje retratados em canção.

A maioria dos produtores de videojogos parece pensar que dinheiro faz arte. O dinheiro ajuda. Mas o que faz arte são os anos.