A Arte Sem Nome

Sou uma anomalia no que diz respeito à musica. A maior parte das músicas não deixa registo na minha memória. Estamos a ouvir o que está a tocar no rádio do carro ou de um bar, eu mais amigos ou família, e eles vão dizendo os nomes das musicas e identificando as bandas que as tocam. Eu raramente o consigo fazer.

Acontece o mesmo com filmes. Claro, tenho uma lista de filmes favoritos, sei quais são, mas nem por sombras lhes consigo associar mais do que um punhado de nomes de actores e realizadores. Parece que tenho um bloqueio subconsciente que me leva a ignorar selectivamente os nomes das pessoas associadas à arte.

Não sinto que isso tenha diminuído a minha capacidade de apreciar cada obra. É verdade, por vezes sinto-me um bocado culpado, como se estivesse de alguma forma a desrespeitar o esforço, o empenho do artista. Mas não deixo de gostar do trabalho, e sou menos propenso a avaliar novas produções em função do nome a elas associadas.

Isso parece-me bem.

Fotografia por Porapak Apichodilok, via Pexels

 

Ferramentas do Ofício

Quando tens mesmo que fazer o trabalho, quando não consegues viver sem fazer o trabalho, então as ferramentas não são tão importantes. Escrevi vários capítulos do meu primeiro livro numa aplicação de bloco de notas, no telefone. Boas ferramentas dão-te alento na caminhada, mas não te empurram porta fora.

Mas alguns de vós pediram-me que partilhasse as ferramentas que uso para escrever, portanto aqui estão as principais ferramentas:

Scrivener ( OSX / iOS / Windows) – É isto que uso para escrever os meus livros de ficção. É uma aplicação magistral para escrever livros, desde que este não exijam grandes composições visuais, como por exemplo ilustrações eximiamente formatadas, ou caixas de texto suplementares. É infinitamente personalizável e tem ferramentas para ajudar a qualquer tipo de escrita, desde tratados científicos a ficção histórica. Mas com o pressionar de um botão, passas a ser só tu, um contador de palavras, e uma página em branco. Os produtores disponibilizam uma versão de demonstração generosa – escrevi um livro inteiro utilizando apenas isso.

Pages (OSX, iOS, Web) – Uso isto para textos maiores, ou para qualquer tipo de livro que necessite de uma composição visual mais cuidada (por exemplo PDFs para marketing). Tem duas grandes vantagens em relação à concorrência (Google Docs e Microsoft Word). Em primeiro lugar, é muito mais fluido, especialmente no que diz respeito à manipulação e formatação de imagens. Em segundo lugar, usa etiquetas para categorizar documentos. Não me vou alongar acerca das etiquetas porque é uma questão organizacional e aqui escrevo sobre escrita. Quando queres que a tua escrita seja apresentada de uma forma bela mas não queres andar frustrado(a) às cabeçadas no teclado? A tua melhor amiga é uma aplicação fluída e com menus de formatação e estilo intuitivos. É o que o Pages oferece. A versão web é muito pior, mas funciona.

Bear App (OSX, iOS) – Para escritos breves. 99% dos textos neste blog são escritos no Bear. Tem uma interface belíssima e minimalista, formatação robusta com base em chaves de cardinal, e facílima exportação para uma larga variedade de formatos. É um Evernote sem banhas, afinado para escritores. Eu uso a versão paga para sincronizar entre dispositivos, mas se isso não te interessa, a versão gratuita tem tudo o resto. A equipa de desenvolvimento prometeu trabalhar numa versão web, mas sem data definida.

Fotografia por Leah Kelley (Pexels)

Três Coisas

Três coisas não podem ser recuperadas:

A flecha, uma vez disparada

A palavra dita com pressa

A oportunidade perdida.

— Idries Shah, “Caravan of Dreams”, citando Ali o Leão, Califa do Islão

Não faças ameaças que não estás pronto a cumprir. E pensa bem no que vais dizer, antes do o fazer; apenas os tolos pensam que quem demora a responder é lerdo.

Quanto às oportunidades, acho que nem é assim tão mau falhar algumas. Aparecem novas todos os dias.


A citação acima é uma tradução feita por mim, de uma passagem do livro “Caravan of Dreams” por Idries Shah, que traz ao ocidente alguns excertos de filosofia Arábica. Tanto quanto sei, não existe uma tradução oficial Portuguesa.

Como é habitual, não ganho nada se seguirem o link e comprarem o livro.