Como Encontrar Um Bom Médico

Aqui está algo que ninguém quer ouvir: a maioria dos médicos são medíocres. Gostamos de colocar os profissionais de saúde num pedestal porque são eles os responsáveis pelo nosso bem-estar e longevidade, e queremos muito pensar que essas coisas estão nas mãos dos melhores, mas os melhores são poucos e é improvável que nos seja atribuído até mesmo um bom médico de forma meramente aleatória.

Tal como em todas as outras profissões, a qualidade dos médicos seque uma distribuição matemática normal. Um punhado é extremamente incompetente. Alguns são meramente maus. A maioria é média, mediocre. Uma modesta percentagem é boa. E outros poucos são excelentes.

Curva de Bell
Representação de uma distribuição normal, “Curva de Bell” ou “Curva em Campânula”

 

Ao chegar a uma clínica ou hospital, a lei da probabilidade encarregar-se-à de nos atribuir um médico de qualidade média. Pensar outra coisa é auto-ilusão para combater ansiedade. E na realidade, na maioria das situações, um médico de qualidade média basta. Não é preciso o Dr. House para passar medicamentos para o sarampo ou para encastrar um braço partido.

Mas se estás numa situação em que é difícil identificar o que se passa, se te sentes mal e não sabes muito bem porquê, então nesse caso um médico medíocre ou não te vai saber ajudar, ou vai estabelecer por defeito o diagnóstico mais estatisticamente provável – não necessariamente o mais correcto.  Isto protege-o, mas  não é necessariamente útil para o paciente.

Podes identificar um bom médico através de um par de características:

  1. Tempo Investido Na Consulta. Especialmente relevante na primeira consulta, mas também importante quando é relevado um sintoma novo. Consultas de menos de 30 minutos não são aceitáveis. Consultas de 15 minutos são uma piada à custa do paciente. Um bom médico passa regularmente uma hora com cada paciente. Fazem exames completos e muitas perguntas.
  2. Capacidade de responder a perguntas e explicar sistemas. Um bom médico explica porque é que as coisas estão mal, o que tem que mudar, e o porquê.  Explica quais os mecanismos da doença e os mecanismos da cura. Se um médico não sabe explicar porque é que um antibiótico não funcionou e é preciso experimentar outro, ou porque é que é importante normalizar um valor especifico nas análises, isso é sinal de que ele não entende o que está a fazer, está meramente a guiar-se por uma “cábula” de valores médios. A maioria dos médicos sabem dizer-te para baixar o colesterol, mas bloqueiam se lhes perguntares para que serve o colesterol, afinal de contas.

O Diagnóstico Correcto Está Na Terceira Opinião

Parte do problema do nosso hábito de ver os médicos como seres sobre-humanos e infalíveis é que não temos o hábito de pedir uma segunda opinião.

Dependendo da severidade da situação (o quão mal te sentes é um barómetro decente para a determinar) ou do nível de violência do tratamento proposto (cirurgias complicadas, grandes mudanças no estilo de vida, etc) vale muito a pena ir falar com outro médico para ter uma segunda opinião.

Se o segundo médico concorda com o primeiro, é decente. Dá para avançar com alguma segurança.

Se não, é preciso desempatar. Sim, é preciso ir consultar um terceiro médico. Não há outra maneira de decidir qual dos outros dois tem razão.

Eu compreendo que ninguém gosta de ouvir isto. É muito desagradável. Ir ao médico é caro e demorado. Nem toda a gente tem a possibilidade de ir a uma instituição de saúde privada. Não tenho boas respostas para esses problemas. Exponho a informação porque acho que é melhor que as pessoas a tenham, do que não. Pode não ser fácil agir em conformidade, mas espero que consigam.

Boa sorte!

A Lenda das Rosas

Danilo era um homem sábio para a sua idade. Fora um dos mais jovens a ser ordenado sacerdote, não em pequena parte devido ao conhecimento que adquiriu em extensas viagens pelas partes mais ou menos civilizadas de Eléssia. O seu mestre, um diplomata, viajara desde a Torre, no extremo mais nortenho do mundo conhecido, até às florestas tropicais das ilhas perdidas do Sul, onde viviam guerreiros que veneravam as árvores e tinham a pele negra como a noite.

Mas o seu mestre não era, realmente, um diplomata. A sua missão sagrada era a de caçar o sobrenatural, os monstros que tinham sobrado como relíquias de um tempo em que a magia ainda governava o mundo, antes de se ter extinto há eras atrás.

A magia estava extinta, mas alguns ecos sobraram, e, em virtude das suas viagens e da tutela do seu mestre, Danilo era uma das poucas pessoas em Eléssia que via tais coisas como mais do que contos para criança.

Quando o seu mestre viajou por Lohander, Danilo estudou com algum interesse o panteão do Deus-Sol, e o papel da família imperial. As filhas da família imperial, sem excepção, estavam fadadas a ser sacerdotisas, e uma delas, uma vez na sua vida, tinha o destino de ser abençoada pelo Deus-Sol: de fazer um milagre. Este milagre era o sinal de que seria ela a próxima imperatriz, e a pessoa responsável por escolher o próximo imperador.

Isto, diziam os homens de Lohan, era a prova de que o seu Deus era o Verdadeiro Deus. Pois que argumentos poderia haver contra uma divindade que permitia, a cada geração, um milagre palpável?

Mas para Danilo, isto provava mais do que a existência de um ser divino. Isto provava a existência do sobrenatural. Se uma escolhida poderia ter acesso a tais poderes, então não seria de dar ouvidos a outros contos improváveis?

E um desses contos improváveis, sussurrado por quase todo o povo de Lohan, mas nunca em frente a estrangeiros, dizia respeito às Rosas.

As Rosas. Havia sempre três. Três mulheres, criadas em extremos opostos do Reino Sagrado, treinadas rigorosamente em mosteiros até as suas predecessoras falecerem, e lhes ser passado o manto de Rosa. Três campeãs do Deus-Sol, abençoadas com o seu poder, abençoadas com o poder de unir o mundo do real com o mundo dos sonhos, de abrir uma pequena janela para o que poderia ter sido, ou poderia vir a ser, e transportá-lo para o agora.

O povo de Lohan, como já fora dito, evitava falar disto perto de estrangeiros, e cedo outras preocupações tomaram conta da atenção do jovem Danilo.

O seu interesse na lenda das Rosas foi-se, e a história ficou esquecida nos recantos da vasta biblioteca que se estava a formar na sua mente.

Até agora.


O meu primeiro livro de ficção fantástica está disponível na Bertrand, na Wook e em formato digital através da Amazon. Mais de duas mil pessoas já o leram. Espero que sejas o próximo(a).

Fotografia por: chiaralily Flickr via Compfight cc