Salvar a Filosofia

A filosofia saiu da minha vida depois de terminados os últimos exames no secundário. Não havia razão para continuar. Foi-me ensinada como uma versão mais aborrecida de história: esta pessoa pensava isto, a outra pessoa defendia aquilo, etc. Não havia qualquer propósito por detrás do conhecimento – agora percebo que o que me foi ensinado não foi filosofia, mas sim história da filosofia.

Não havia razão para a aprender para além de ter melhores notas e parecer culto. E esta última estava longe de ser prioridade para um miúdo de 17 anos.

Avançando pela vida adulta, estava tão pouco preparado como qualquer um para enfrentar os seus desafios: perda, adversidade, terror existencial, confrontação com estruturas tirânicas, resistir a tentações, medos e ansiedades, e todos os primos e parentes destes conceitos.

Morreu a mãe de um amigo meu há um par de meses. É uma experiência pela qual, é garantido, a maioria de nós vai passar. É um evento completamente previsível no decurso de uma vida normal. E no entanto, o meu amigo não estava minimamente preparado – tal como a maior parte de nós não está.

Porque é que não nos ensinam a lidar com estas coisas na escola?

Depois de um longo percurso pela industria do desenvolvimento pessoal (ou, como eles não gostam de ser chamados, da “auto-ajuda”) , dei por mim a voltar à filosofia, pelas palavras de Marco Aurélio e outros Estóicos. Foi então que percebi: há um espaço dedicado a ensinar-nos como lidar com os desafios da vida. Era para isso que deviam servir as aulas de filosofia.

Alguém pôs a pata na poça quando determinou como a filosofia seria ensinada nas escolas.

Parte do que estou a tentar fazer aqui, com estes escritos, é corrigir isso. Estou a tentar reconquistar a filosofia, salvá-la das salas de aula e trazê-la para o lugar onde pertence: o nosso dia-a-dia, as nossas vidas.

Fotografia: Free Public Domain Illustrations por rawpixel Flickr via Compfight cc