Vida, Sorte, e Hearthstone

Os últimos escritos foram um pouco pesados, por isso hoje vamos tentar algo mais relaxante. Eis o que me tem entretido recentemente:  Hearthstone.

Para quem não conhece: Hearthstone é um jogo onde se constrói um baralho a partir de um conjunto de cartas ( o jogo dá acesso gratuito ao conjunto inicial, e permite expandir esse à medida que se joga e/ou se compram cartas), usando-o para combater contra outros jogadores online.

É um jogo estratégico onde se fazem crescer exércitos ( e se dizimam os mesmos com um feitiço bem lançado), mas o que me deixa agarrado é mesmo a aleatoriedade inerente a um jogo de cartas.

Gosto de jogos que dependam de um equilíbrio entre preparação e sorte. Gosto da maneira como espelham o que se passa na vida. De certa forma, vejo-os como treino essencial para a vida: uma forma de praticar evitar ressentimento  por coisas fora do meu controlo, e de fazer o melhor possível com aquilo que tenho.

Claro, é preferível ganhar do que perder. Mas há um certo tipo de satisfação madura em saber que fomos capazes de levar uma má mão de cartas tão longe quanto possível.

É certo: quem começar a jogar hoje, e se encontrar face-a-face com alguém que anda a colecionar (ou comprar) cartas à meses, de muito pouco a sorte ou a preparação lhe valerão.  Isso também é a vida. Há pessoas que saem do berço com tudo o que é preciso para vencer. Mas a maioria das pessoas precisa de levar o seu tempo, e de construir um plafond de recursos e talento até chegar a um nível em que tenha a possibilidade de executar algo de valor.

Chegar a Hearthstone como um novo jogador é, então, um exercício de humildade. Posto isto, o jogo nunca foi tão generoso como é actualmente: dá aos novos jogadores ampla oportunidade para ganhar cartas, e oferece vários modos de um jogador que são uma grande ajuda para praticar e aprender as regras do jogo.

O seu exterior alegre e efusivo foi claramente engendrado para apelar aos mais novos, e eu aprovo. Pode ser que ajude as novas gerações a desenvolver um bocado de “calo”, e sentir-se um pouco menos apaparicadas.

(Nota, por transparência: se aderirem ao jogo através do link que deixei acima, e jogarem até chegar a nível 20, eu ganho uma meia-dúzia de cartas.)