O Belo e o Monstruoso

Estou cansado de ter que justificar o trabalho. Não é arte a sério se é preciso fazer com que seja acerca de algo. Se é preciso fazê-lo sobre direitos humanos, ou direitos dos gatos, ou demonstrar uma preposição política.

“Toda a arte é política!” Gritam eles. Tretas. Claro, a arte pode ser política. Qualquer um que diga o contrário não ouviu os êxitos dos anos 60, não contemplou Guernica.

Mas estas obras não são meramente políticas. São belas. Não foi a mensagem política que as definiu como arte. Foi a componente estética. Foi o facto delas cantarem uma canção à alma de quem as contemplava. Estas obras permitem até a pessoas que desdenham da existência de Deus,  vislumbrar uma réstia do Divino.

Estou cansado de ver propaganda passar por arte. Um miúdo caga numa tela, diz que é a mensagem dele, que é arte. Não é. É merda numa tela. Que raio percebes tu de política, seja como fôr? De quantas almas tiveste o destino nas mãos, quantas decisões difíceis tiveste tu que fazer, decisões que tivessem influência sobre a vida de outros?

Deixa de ser arrogante. Tenta fazer qualquer coisa bela, antes de mais nada. Tenta tocar a alma de uma única pessoa. Tenta arranjar os pés de Mercury a cantar sobre Barcelona, segurar um pouco da luz de C. S. Lewis, de quando ele rabiscava fábulas sobre crianças-cavaleiro e realeza Leonina.