Tao Te Ching – Versículo 19 – Notas

Se fossemos capazes de renunciar à nossa sageza, e de descartar a nossa sabedoria, serviríamos o povo cem vezes melhor.

Porque poucas coisas revoltam o povo mais do que sentir que os seus líderes o tratam de forma condescendente. Sabedoria decretada do topo da montanha é apenas outra forma de tirania.

Se fossemos capazes de renunciar à nossa benevolência, e de descartar a nossa justiça, o povo tornar-se-ia novamente filial e gentil.

Porque ninguém gosta de sentir o paternalismo das elites. Há uma resposta, uma contra-reacção, quando tentamos impôr compaixão com mão pesada. É a revolta contra o politicamente correcto. 

Se fossemos capazes de renunciar aos nossos artifícios engenhosos, e de descartar as nossas intrigas em prol do lucro, não haveriam ladrões nem assaltantes.

A maior parte das pessoas sentem-se felizes com muito pouco. Comida na mesa, alguns confortos, dinheiro suficiente para manter os credores longe, e um mais pouco para pôr de parte para dias difíceis. 

Há pessoas que roubam por ganância, é verdade; mas muitos roubam por revolta, porque vêm pessoas a viver como os deuses do Olimpo – fantasias que lhes são vendidas pelas revistas e pela televisão, artimanhas urdidas por quem enriquece à conta de fazer as pessoas desejar luxos de que não precisam para ser felizes.

Pois uma visão simples, e planos claros e verdadeiros,

Fins egoístas, e muita luxúria evitariam.

Um líder deve confiar no bem dos que o rodeiam, sem cair na ingenuidade.  A paranóia, o assumir o pior dos outros, o suportá-los meramente por que precisamos deles, mas em constante desconfiança, esse é o caminho de Nero. 

Nero, a que ninguém queria mal, a que foi deixado um legado de sábios conselheiros para o orientar, e que um a um, todos os seus aliados a sua desconfiança voltou contra si, até que a sua profecia de que seria assassinado se auto-concretizou.  A Morte aguarda em Samara.

O líder deve estar disposto a assumir o melhor dos outros, sem, claro está, se deixar desprotegido. Confia, (mas verifica).

Fotografia por SAM LIM / Pexels

O Princípio do Fim

Não sei se vou ver o novo filme dos Vingadores, “Endgame” ao cinema, ou se vou esperar pelo lançamento caseiro. Mas gostei do filme anterior, achei que a fórmula foi muito mais interessante do que a que é habitual no Universo Cinemático Marvel.

Para quem vai esta semana ao cinema, aqui fica o par de artigos em que desenvolvo este elogio:

O Valor do Sacrifício

O Problema do Crescimento Exponencial

Se forem… Bom filme! (Não me digam como acaba.)

Sinal de Vida

Parece que falhei com o meu compromisso de escrever algo todos os dias.

Não houve nenhum grande acontecimento grave, descansem. Simplesmente estava a trabalhar num texto maior, relacionado com a Páscoa. 

Todos os dias acabava por não o publicar e prometia a mim mesmo que o faria no dia seguinte. Mas não o consegui deixar num estado que me sentisse à vontade para partilhar. Não gostei do resultado final, e às vezes, um texto mau só precisa de ser polido, mas não foi esse o caso.

E claro, perder o fio à meada, falhar a sequência, o compromisso de publicar todos os dias… Parece que é mais difícil de retomar.

Mas aqui estou, para iniciar a caminhada de novo. Às vezes, todos temos que parar um pouco à beira da estrada, sentar num banco, fechar os olhos.

E agora… De volta à viagem.

Escritor. Marketer. Dentista. Gamer.