Uma Vida Interessante

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É, tanto quanto sei, uma frase dita com a intenção de amaldiçoar outra pessoa: “Que tenhas uma vida interessante.” 

Mas já não vemos uma “vida interessante” como uma maldição; nos países industrializados, estamos famintos por estímulo. Queremos ser vítimas dessa maldição.

É isso que vejo: que ninguém quer coexistir de forma pacífica; que ninguém escolhe fazer uma interpretação positiva – ou pelo menos, caridosa – de uma palavra ou acção quando há margem para a interpretar da pior forma possível.

Esta sociedade imperfeita – que, ainda assim, é a mais próxima da perfeição que conseguimos alcançar na curta história da nossa espécie – deu-nos tantos estímulos, que perdemos a nossa sensibilidade. Estamos dessensibilizados. 

E essa dessensibilização leva-nos a buscar a bebedeira da revolução e auto-destruição, ao invés da paz da reforma e evolução.

Andamos à procura de ter uma vida interessante.

E estamos a encontrá-la.

A edição digital de “A Silvery Moon” é gratis até Maio

Para mim, estar trancado em casa não é nenhum sacrifício – é o meu modo de vida.

Mas sei que nem toda a gente partilha desse gosto, e para muitos, a quarentena é equivalente a tortura psicológica. 

Quero contribuir para aliviar esse fardo, e para vos dar mais uma razão para ficar em casa. E não há melhor razão para ficar em casa do que ter um bom livro para ler.

Assim, e até ao final do próximo mês, estou a oferecer cópias digitais do meu último livro (em inglês), “A Silvery Moon.” 

Sigam este link para aceder ao livro, em formato E-Pub (legível tanto em tablets e telemóveis Android como Apple).

Infelizmente a Amazon não me deixa tornar o livro grátis na loja deles, a menos que elimine a versão acima. Por isso, se preferem o formato para Kindle, o melhor que vos posso oferecer é uma promoção de 50%.

Por favor, partilhem.

Boas leituras. Mantenham-se dentro de casa. Mantenham-se seguros.

O Inimigo Invisível

A única forma de combater um inimigo invisível e silencioso é assumir que ele está em todo o lado.

Num mundo em que esse inimigo existe, os sábios passam por paranóicos, e os racionais e moderados vivem muito pouco.

O inimigo invisível não tem face; por isso, é difícil odiá-lo apaixonadamente.

É difícil encontrar a motivação para combater todos os dias uma coisa sem braços e pernas, sem garras e presas.

Estamos habituados a travar as nossas guerras com armas e punhos, com gritos e palavras. Mas nada disso vale face ao inimigo sem braços nem pernas, sem garras e presas.

Um inimigo destes combate-se por privação. 

Combate-se salgando os campos para ele não ter que comer. 

Combate-se queimando as florestas, para ele não poder respirar.

A comida que este inimigo consome, e o ar que ele respira, somos nós.

A forma de o combater? Através da disciplina.

As vitórias são diárias, mas não satisfazem. A prevenção, o dia sem perder a batalha, não dá sensação de conquista.

Acerca de ganhar, nós percebemos. Um jogo em que o objectivo é não perder, isso é menos familiar.

A disciplina é a de saber que este é um jogo em que a única forma de ganhar…

É aguentar até ao final do jogo, sem perder.

Pintura: “A intercessão do Beato Bernardo Tolomeo pelo fim da praga em Siena” por Giuseppe Maria Crespi

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